Emoções e Maturidade Financeira


Em 2016 foi publicada uma pesquisa informando que 66% dos brasileiros acreditam que cuidar da beleza não é luxo, mas sim necessidade (SPC/2016). Muitas pessoas acreditam que a beleza física gera mais oportunidades e é um investimento que traz satisfação e felicidade.


Um dado preocupante a este respeito é que aproximadamente 25% da população entrevistada diz que gasta mais do que pode com produtos de beleza. Isso nos mostra como algo que é tão valorizado e considerado importante pode impactar na vida financeira.


Nesse sentido, é possível perceber que nossas emoções, nossas crenças e a forma como costumamos tomar decisões influenciam as diversas áreas da vida, inclusive na vida financeira. Quem nunca tomou uma decisão de compra por impulso e depois se arrependeu? Quem já poupou por meses ou até anos para adquirir algo que queria muito e se planejou para isso? O autoconhecimento, o autocontrole, a disciplina, a capacidade de postergar recompensas e diversas outras características impactam direta ou indiretamente na saúde financeira de uma pessoa e de uma família.


A disciplina, por exemplo, é um hábito essencial para ter equilíbrio das finanças. Prova disso é que mesmo entre as pessoas que controlam o orçamento, quase 60% diz ter alguma dificuldade, sendo que a principal delas é a falta de disciplina (SPC e CNDL/2018).


Aprender a lidar com nossas emoções pode fazer grande diferença, uma vez que se tem maior conscientização do por quê, para quê e quais as consequências das atitudes ligadas à vida financeira. Por exemplo, as pessoas que estão muito felizes tendem a gastar mais dinheiro como forma de recompensa. Por outro lado, muitas pessoas, quando estão tristes ou com raiva, também tendem a gastar mais dinheiro como forma de ter satisfação imediata, minimizando os sentimentos ruins.  Também encontramos pessoas que, por medo, deixam de usufruir o que poderiam ou se privam de pequenos momentos de satisfação, mesmo que isso não comprometa ou impacte seu orçamento. Ou seja, nossos sentimentos, muitas vezes, determinam nossos comportamentos e estes, por sua vez, também impactam nossos sentimentos, como em um ciclo. Há pesquisas que indicam que compras motivadas por status ou por compensação emocional geram maiores sentimentos de solidão e isolamento social.


Diante disso, promover uma vida financeira equilibrada envolve auxiliar os alunos a desenvolver tanto as competências socioemocionais (competências ligadas ao reconhecimento de emoções e ao controle e bom direcionamento das mesmas), como as competências cognitivas (planejamento, conhecimento de possibilidades, produtos e serviços). Algumas ações para que os estudantes possam praticar hábitos que favoreçam a vida financeira são:


  • Utilizar aplicativos ou planilhas que ajudam a organizar as finanças;

  • Criar hábitos de controle das finanças (anotações de gastos, despesas fixas, entradas, etc);

  • Atentar-se sobre possíveis gastos desnecessários ou economias possíveis de serem incorporadas ao dia a dia;

  • Evitar situações em que tenha que decidir sob pressão. Sempre que possível, ponderar e analisar como esta ação irá impactar no orçamento, se é viável ou não;Evitar situações que envolvem gastos financeiros quando estiver sob efeito de emoções intensas;

  • Diante de uma compra, perguntar-se sobre a real motivação para aquele gasto (por prazer, por status, por compensação de um sentimento negativo, fuga, entre outros).


Aprender a aproveitar oportunidades, aprender de que forma gastar e guardar dinheiro, e aprender a não ser regido por fatores que vão posteriormente gerar arrependimento ou complicações no orçamento é muito importante para ter tranquilidade e propriedade da vida financeira. É saber direcionar as próprias emoções e decisões financeiras, para não ficar refém das consequências econômicas e emocionais.


Fonte: Mariana Gonçalo | OPEE Educação

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