Como relacionar felicidade à vocação profissional?

De largada, encontramos dois desafios na questão colocada: a felicidade e a vocação.




A vocação, entendida como um chamado, aquilo com o qual já nascemos e precisamos “apenas” descobrir, identificar ou encontrar, muitas vezes não é um bom ponto de partida quando adotamos um olhar mais amplo e complexo sobre as afinidades e interesses do ser humano. O entendimento de vocação pressupõe um trabalho do indivíduo em descobrir algo para o quê deve se dedicar, como um desvelamento de uma aptidão natural.


Se considerarmos que o ser humano é complexo, que ao longo de seu desenvolvimento vai se descobrindo, vai aprimorando determinadas habilidades em detrimento de outras, vai estabelecendo relações que o influencia, bem como sendo impactado pela cultura, pelos livros e por tudo aquilo que o cerca, entenderemos que nossas aptidões são multideterminadas e podem sofrer mudanças ao longo da vida, não sendo algo que deva ser apenas desvendado.


Se considerarmos que, no Brasil, a expectativa de vida ao nascer, em 1940 era de 45,5 anos e que em 2017 saltou para 76 anos, já fica evidente algum impacto na vida laboral dos indivíduos, que minimamente, acabam trabalhando por mais anos ou ficam mais tempo aposentados (ou ambas as coisas).


O fato é que ao nos dedicarmos mais tempo ao trabalho, em um mundo que está cada vez mais conectado pela tecnologia, mas desconectado em outros aspectos, sofrendo mudanças cada vez mais velozes e com oferta de escolhas cada vez maiores, é praticamente uma raridade ficar imune a reflexões e questionamentos ao longo deste trajeto. É difícil sustentar que há uma única vocação a ser encontrada para cada um de nós e que esta nos guiará até o fim de nossas vidas.


Ao mesmo tempo em que esta ideia pode ser angustiante, é também libertadora. A ideia de que a “vocação” na realidade não é um chamado, mas sim um processo de construção de conhecimento sobre si mesmo, de desenvolvimento de habilidades e de competências, e de adequações de rotas no meio do percurso, é a que parece ser mais adequada ao cenário intenso que vivemos. Nesse sentido, poderíamos falar em orientações e afinidades profissionais, no lugar de vocação profissional.


Nesse contexto, a perspectiva de que a profissão pode e deve ser uma fonte de satisfação e realização foi ganhando força, algo inexistente em outros períodos históricos. Isso nos leva ao nosso segundo desafio: a questão da felicidade.


Temática que tem ganhado destaque nas últimas décadas, grande parte dos estudos sugere que ela está mais diretamente relacionada às relações e vínculos que estabelecemos com pessoas significativas do que com posses materiais (considerando que se tenha uma capacidade mínima de subsistência). Há estudos que também indicam que, muitas vezes, nossa própria interpretação sobre nosso estado de felicidade acaba sendo mais impactante do que a “realidade” em si. Já reparou como há pessoas que parecem felizes mesmo diante de situações adversas? Ou o contrário, pessoas que não se sentem felizes mesmo com condições favoráveis e sem grandes problemas e dilemas na vida? Pois então, a felicidade depende de diversos fatores (genéticos, culturais, históricos, sociais, relacionais, entre outros), e não unicamente do indivíduo, como muitas vezes costumamos ver em modelos que simulam receituários.


Relacionando a felicidade ao trabalho, diversos estudos têm sido realizados para entender melhor de que forma o engajamento em atividades significativas pode trazer bem-estar e felicidade. Há indícios de que nenhuma atividade por si só é gratificante, mas depende em grande medida da atribuição que é dada àquilo que desempenhamos. Não é difícil imaginar pessoas que têm a mesma profissão, porém, com sentimentos de realização diferentes. E isso vale para todas as áreas. Podemos encontrar desde médicos, pilotos de avião, dentistas, motoristas e cozinheiros desencantados e infelizes com suas profissões, assim como aqueles que são realizados e veem sentido e propósito naquilo que fazem. Ou seja, nossa vida profissional pode ser grande fonte de realização ou fonte de insatisfação. Claro que dificilmente encontramos apenas uma coisa ou outra, afinal, nem tudo na vida é só luz ou só sombra.


A reflexão essencial que podemos fazer para buscar uma maior felicidade com aquilo que fazemos é: quais são os temas que me atraem? Com quais deles eu gostaria de passar boa parte de meu tempo me dedicando? Qual legado eu gostaria de deixar com minha atividade profissional? O quão próximo eu estou disso tudo?

Se a alegria está na travessia, e não no ponto de chegada, que possamos fazer dessa busca a mais alegre possível!


Texto: Mariana Gonçalo

32 visualizações
Logomarca (Curva)_letrasmebranco.png

O APLICATIVO ESCOLAWEB já está disponível para todos os alunos e responsáveis. 

Para baixar, acesse sua loja de aplicativos.

© Copyright Colégio Américo de Oliveira. Todos os direitos reservados.

UNIDADE SEDE

Avenida Engenheiro Assis Ribeiro, 433

Marechal Hermes, RJ, 21610-220

UNIDADE ANEXO

Avenida Engenheiro Assis Ribeiro, 301

Marechal Hermes, RJ, 21610-220

+55 21 2135-7343

+55 21 97592-8500 (WhatsApp)

faleconosco@colegioamericodeoliveira.com.br

  • Facebook Américo
  • Instagram Américo
  • WhatsApp Américo
  • YouTube Américo